Dois novos pacientes são considerados curados do HIV após transplante de células-tronco

Pesquisadores anunciaram, durante a 26.ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro, mais dois casos de pessoas que permanecem sem sinais do HIV após um transplante de células-tronco realizado para tratar cânceres do sangue. Caso a remissão continue nos próximos anos, esses pacientes passarão a integrar um grupo de apenas 13 pessoas consideradas curadas do HIV em todo o mundo.

1. Paciente de Essen

Um dos casos é o do Paciente de Kansas City, um jovem norte-americano que recebeu o diagnóstico de HIV em 2018. Dois anos depois, aos 21 anos, também descobriu uma leucemia mieloide aguda. Após o tratamento contra o câncer e um transplante de células-tronco, ele interrompeu o uso dos medicamentos antirretrovirais sob rigoroso acompanhamento médico. Mais de um ano depois, continua sem apresentar sinais de replicação do HIV no organismo.

2. Paciente de Essen

O segundo caso é o do Paciente de Essen, na Alemanha. Assim como o paciente norte-americano, ele permanece há mais de um ano sem o uso da terapia antirretroviral e continua com carga viral indetectável, um resultado que reforça o potencial desse tipo de abordagem em casos muito específicos.

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Esses dois novos casos de cura do HIV ajudam os cientistas a compreender melhor como o vírus pode ser eliminado ou controlado por longos períodos sem a necessidade de tratamento contínuo. As descobertas também fornecem pistas importantes para o desenvolvimento de terapias capazes de alcançar uma remissão duradoura em um número maior de pessoas.

Apesar dos resultados promissores, os especialistas alertam que o transplante de células-tronco não é um tratamento para o HIV. O procedimento apresenta riscos elevados e só é indicado para pacientes que também precisam tratar doenças graves, como alguns tipos de leucemia. Por isso, ele não pode ser aplicado à maioria das pessoas que vivem com o vírus.

Atualmente, o tratamento do HIV baseia-se na terapia antirretroviral. Esses medicamentos impedem a multiplicação do vírus, reduzem a carga viral para níveis indetectáveis e preservam o sistema imunológico. Quando a carga viral permanece indetectável por tempo suficiente, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, um princípio conhecido como Indetectável = Intransmissível (I=I). Embora esse tratamento não elimine o vírus do organismo, ele permite que pessoas vivendo com HIV tenham uma vida longa, saudável e com excelente qualidade de vida.

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Sobre o autor

Medica Geral at  |  + posts

A Dra. Yolanda Kuntuela é médica de Clínica Geral, com pós-graduação em Saúde Pública e formação complementar em Psicopatologia e Dependência Química, além de Gestão de Saúde Corporativa. Possui mais de oito anos de experiência clínica, atuando com dedicação na prestação de cuidados de saúde de qualidade e na promoção da saúde baseada em evidências.

Ao longo da sua carreira, tem desenvolvido competências em saúde pública, medicina clínica e educação em saúde, com especial interesse na prevenção de doenças, redução de danos e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Também possui certificações internacionais em redução de danos associados ao uso de drogas e avaliação ultrassonográfica da tuberculose associada ao HIV.

A sua prática profissional é marcada pelo compromisso com um atendimento humanizado, atualização científica contínua e divulgação de informações de saúde confiáveis, contribuindo para a promoção do conhecimento e do bem-estar da população.

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