Conheça as 6 principais formas de transmissão de HIV e como se prevenir

Atualizado em Junho 20, 2026

O HIV pode ser transmitido de várias formas. Conhecer essas formas é essencial para a prevenção. As principais vias incluem transmissão sexual, contacto com sangue contaminado e transmissão de mãe para filho. Existem ainda outras situações de risco. Entender como o vírus se transmite ajuda a reduzir infeções e a adotar medidas de proteção no dia a dia.

Transmissão vertical: de mãe para filho

A transmissão vertical acontece quando a mãe passa o HIV para o bebé durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

Sem tratamento, o vírus pode ser transmitido nessas fases. O risco depende da carga viral da mãe e do tempo de amamentação.

Hoje, o tratamento antirretroviral reduz muito esse risco. Quando a mulher faz o tratamento corretamente durante a gravidez e recebe acompanhamento médico, o risco pode cair para menos de 2% e, em muitos casos, quase zero.

Por isso, o teste de HIV no pré-natal é essencial. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápido começa o tratamento e maior a proteção do bebé.

Mulheres com HIV podem ter filhos saudáveis. Com acompanhamento médico, muitas conseguem uma gravidez segura e bebés sem o vírus.

Transmissão sanguínea

O HIV transmite-se pelo sangue quando o sangue de uma pessoa infetada entra diretamente no corpo de outra.

Um dos maiores riscos é a partilha de seringas e agulhas. Quando várias pessoas usam o mesmo material sem esterilização, podem ficar restos de sangue contaminado.

Esse sangue pode conter HIV e transmitir o vírus à próxima pessoa.

Além disso, esse tipo de partilha também aumenta o risco de hepatite B e C.

Por isso, cada pessoa deve usar material de injeção próprio e esterilizado. Essa é a forma mais segura de prevenção.

A desinfeção reduz o risco, mas não elimina totalmente o vírus.

Hoje, a transmissão por transfusão de sangue é muito rara. Isso acontece porque os bancos de sangue fazem testes rigorosos.

Transmissão sexual

A transmissão sexual é a forma mais comum de transmissão do HIV em todo o mundo. Ela ocorre quando uma pessoa entra em contacto com fluidos corporais que contêm o vírus durante relações sexuais sem proteção.

E através do sexo vaginal:

O HIV pode estar presente nos fluidos sexuais de uma pessoa que vive com o vírus e não tem a carga viral controlada. Nos homens, o vírus pode estar presente no líquido pré-ejaculatório e no sémen. Nas mulheres, pode estar presente nos fluidos vaginais e nas secreções do colo do útero.

Durante uma relação sexual vaginal sem preservativo, esses fluidos podem entrar em contacto com as mucosas (tecidos delicados que revestem o interior da vagina, do colo do útero e da uretra) ou com pequenas lesões na pele, permitindo a entrada do vírus no organismo.

Quando um homem com HIV tem relações sexuais vaginais sem preservativo com uma mulher, o vírus pode passar para o corpo da mulher através das mucosas da vagina e do colo do útero. O risco de transmissão aumenta se existirem cortes, irritações ou pequenas feridas na região genital, mesmo que não sejam visíveis a olho nu.

Da mesma forma, quando uma mulher com HIV tem relações sexuais vaginais sem preservativo com um homem, o vírus pode entrar no organismo masculino através da uretra (o canal por onde passa a urina e o sémen), de pequenas lesões no pénis ou da parte interna do prepúcio, nos homens não circuncidados.

A presença de sangue durante a relação sexual também pode aumentar o risco de transmissão, por exemplo, durante o período menstrual ou quando existem feridas ou inflamações nos órgãos genitais.

E através do sexo anal:

As relações sexuais anais sem preservativo apresentam um risco mais elevado de transmissão do HIV do que as relações sexuais vaginais.

Isso acontece porque o revestimento interno do ânus é mais fino e delicado, tornando-se mais vulnerável a pequenas lesões ou fissuras durante a penetração. Essas lesões podem facilitar a entrada do vírus no organismo, mesmo quando não são visíveis a olho nu.

Se um homem seropositivo tiver relações sexuais anais sem preservativo e assumir a posição insertiva (penetrando o parceiro), o HIV presente no líquido pré-ejaculatório e no sémen pode entrar no organismo da pessoa que recebe a penetração através do revestimento do reto ou de pequenas lesões existentes nessa região.

A pessoa que assume a posição recetiva (que é penetrada) apresenta, geralmente, um maior risco de adquirir o HIV devido à maior fragilidade dos tecidos anais.

A presença de sangue durante a relação sexual pode aumentar ainda mais esse risco.

Por outro lado, a pessoa que realiza a penetração também pode ser infetada caso o parceiro recetivo viva com HIV.

Nesses casos, o vírus pode entrar no organismo através da uretra, de pequenas feridas no pénis ou da parte interna do prepúcio, nos homens não circuncidados.

Embora este risco seja menor do que o observado para o parceiro recetivo, a transmissão continua a ser possível.

E através do sexo oral:

O risco de transmissão do HIV através do sexo oral é considerado muito baixo quando comparado com o sexo vaginal ou anal.

No entanto, embora seja raro, a transmissão pode acontecer em determinadas situações.

Quando uma pessoa faz sexo oral num parceiro com HIV (seja no pénis, na vagina ou no ânus), pode entrar em contacto com fluidos que contenham o vírus.

Se a pessoa que realiza o sexo oral tiver feridas, cortes, úlceras, inflamações ou sangramento nas gengivas ou na boca, o HIV pode encontrar uma via de entrada para a corrente sanguínea.

O risco pode ser maior quando existe ejaculação na boca ou quando há presença de sangue proveniente de feridas ou lesões na região genital.

Da mesma forma, uma pessoa com HIV que tenha sangramento nas gengivas ou feridas na boca também pode aumentar a possibilidade de transmissão durante o sexo oral.

Por outro lado, a saliva, por si só, não transmite o HIV.

Isto acontece porque ela contém substâncias que dificultam a sobrevivência do vírus e, normalmente, não possui quantidades suficientes para causar infeção.

Transmissão ocupacional

A transmissão ocupacional, também conhecida como transmissão nosocomial, ocorre quando profissionais de saúde entram em contacto com sangue ou outros fluidos corporais contaminados com HIV durante o exercício das suas atividades profissionais.

Embora seja uma situação pouco frequente, o risco existe, especialmente em ambientes hospitalares e laboratoriais.

A forma mais comum de transmissão acontece através de acidentes com agulhas, bisturis ou outros instrumentos perfurocortantes contaminados com sangue de uma pessoa que vive com HIV.

O risco de infeção aumenta quando o ferimento é profundo, quando existe uma grande quantidade de sangue envolvida ou quando o instrumento esteve diretamente em contacto com uma veia ou artéria da pessoa infetada.

Em casos mais raros, a transmissão pode ocorrer quando sangue contaminado entra em contacto com mucosas, como os olhos, o nariz ou a boca, ou com feridas abertas presentes na pele do profissional de saúde.

Atualmente, a transmissão ocupacional é considerada rara, sobretudo devido à adoção de medidas de segurança rigorosas nos serviços de saúde.

Como prevenir?

A prevenção da transmissão ocupacional baseia-se na aplicação das chamadas precauções universais de biossegurança, que devem ser seguidas por todos os profissionais de saúde, independentemente de conhecerem ou não o estado serológico dos pacientes.

Entre as principais medidas preventivas estão:

  • Utilização adequada de luvas, máscaras, óculos de proteção e outros equipamentos de proteção individual;
  • Manuseamento seguro de agulhas, bisturis e outros instrumentos perfurocortantes;
  • Esterilização correta dos instrumentos médicos e cirúrgicos;
  • Higienização frequente das mãos;
  • Eliminação segura de resíduos hospitalares;
  • Formação contínua dos profissionais sobre prevenção de infeções.

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